Morte celular

Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007 – Capítulo 1

Como as doenças, a morte celular pode ser provocada por fatores internos (intrínsecos), que limitam a duração da vida da célula, ou fatores externos (extrínsecos), que contribuem para a lesão celular e o envelhecimento. Quando o agente estressante é intenso ou prolongado, a célula perde a capacidade de se adaptar e morre.

A morte celular, ou necrose, pode ocorrer de formas diferentes, dependendo dos tecidos e órgãos envolvidos.

  • Apoptose é a morte celular geneticamente determinada. É responsável pela renovação celular constante na camada externa de queratina na pele e nas lentes oculares.
  • Necrose por liquefação ocorre quando uma enzima lítica (lisossomal), ou dissolvente, liquefaz as células necróticas. Esse tipo de necrose é comum no cérebro, o qual possui amplo suprimento de enzimas líticas.
  • Na necrose caseosa, as células necróticas se desintegram, porém pedaços celulares permanecem não digeridos por meses ou anos. Esse tipo de tecido necrótico recebe seu nome em razão de sua aparência mole, semelhante a queijo (caseosa). Ocorre, comumente, na tuberculose pulmonar.
  • Na necrose gordurosa, enzimas denominadas lipases quebram os triglicerídeos intracelulares em ácidos graxos livres, os quais se combinam a íons de sódio, magnésio ou cálcio, e formam sabões. O tecido torna-se opaco e branco, como calcário.
  • Necrose de coagulação, em geral ocorre quando o suprimento sanguíneo para qualquer órgão (exceto o cérebro) é interrompido. Tipicamente, afeta os rins, coração e glândulas adrenais. Atividade de enzimas líticas (lisossomais) nas células é inibida, de forma que as células necróticas conservam sua forma, pelo menos por um certo tempo.
  • Necrose gangrenosa, uma forma de necrose de coagulação, tipicamente resulta da falta de fluxo sanguíneo, e é complicada por crescimento e invasão de bactérias. Em geral, ocorre nos membros inferiores, como resultado de ateriosclerose, ou no trato gastrointestinal. A gangrena ocorre em uma das três formas: seca, úmida ou gasosa.
    • gangrena seca ocorre quando a invasão bacteriana é mínima. É caracterizada por tecido seco, enrugado, marrom-escuro ou preto, em uma extremidade.
    • gangrena úmida se desenvolve com necrose de liquefação, que inclui atividade lítica extensa das bactérias e dos leucócitos, a fim de produzir um centro líquido na área afetada. Pode ocorrer em órgãos internos ou nas extremidades.
    • gangrena gasosa ocorre quando as bactérias anaeróbicas. Clostridium infectam o tecido. Tem maior probabilidade de ocorrer em traumas graves, podendo ser fatal. As bactérias liberam toxinas, que matam as células próximas, e a gangrena gasosa se espalha rapidamente. A liberação de bolhas de gás, provenientes das células musculares afetadas, indica a presença de gangrena gasosa.

Alterações necróticas

Quando a célula morre, são liberadas enzimas no seu interior, as quais começam a dissolver os componentes celulares. Esse processo desencadeia uma reação inflamatória aguda, na qual leucócitos migram para a área necrótica e iniciam a digestão das células mortas. Nesse estágio, essas células mortas – primariamente o núcleo – começam a modificar sua morfologia em uma das três maneiras:

  • picnose na qual o núcleo encolhe, tornando-se uma massa densa de material genético, com um contorno irregular.
  • cariorrexe na qual o núcleo se rompe, espalhando o material genético pela célula.
  • cariólise na qual as enzimas hidrolíticas liberadas de estruturas intracelulares, denominadas lisossomos, dissolvem o núcleo.
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