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Degeneração celular

fev 1st, 2010

Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007 – Capítulo 1

A degeneração é um tipo de lesão celular, que, em geral, ocorre no citoplasma, sem afetar o núcleo. Habitualmente, afeta os órgãos com células metabolicamente ativas (como fígado, coração e rins) e pode ser causada por:

  • aumento de água na célula ou edema celular.
  • infiltração gordurosa.
  • autofagocitose (quando a célula absorve algumas de suas próprias partes).
  • alterações pigmentares.
  • calcificações.
  • infiltração hialina.
  • hipertrofia.
  • hiperplasia.
  • displasia (relacionada à irritação crônica).
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Apoptose

fev 1st, 2010
Richard Mitchel, Robbins Cotran – Fundamentos de Patologia,
7a edição, Rio de Janeiro, Elsevier, 2006
 

Apoptose

 

  • A morte celular programada (apoptose) ocorre quando a
    célula morre devido à ativação de um programa de "suicídio"
    intracelular altamente regulado.
  • A função da apoptose é eliminar seletivamente células que
    não são mais desejadas, com as células adjacentes e o hospedeiro sendo
    minimamente afetados.
  • A membrana plasmática da célula permanece intacta, mas sua
    estrutura é alterada de forma que a célula apoptótica se torna um alvo
    primário da fagocitose.
  • A célula morta é eliminada rapidamente, antes que seu
    conteúdo possa extravasar, e, dessa forma, esse tipo de morte celular
    não desencadeia uma reação inflamatória no hospedeiro.
  • ocorre encolhimento celular, condensação da cromatina e
    fragmentação, formação de bolhas citoplasmáticas e fragmentação em
    corpos apoptóticos, e fagocitose dos corpos celulares pelas células
    saudáveis adjacentes ou pelos macrófagos.
  • A apoptose é fundamentalmente diferente da necrose, que é
    caracterizada pela perda da integridade das membranas, digestão
    enzimática das células e onde frequentemente ocorre reação do
    hospedeiro.

Causas fisiológicas

  • a eliminação celular em populações em proliferação (p.ex.,
    epitélio da cripta intestinal) para manter um número constante de
    células.
  • a involução dos tecidos dependentes de hormônios (p.ex.,
    endométrio, próstata) nos adultos.
  • morte de células que já cumpriram seu propósito (p.ex.,
    neutrófilos, na resposta inflamatória aguda).
  • a morte celular induzida pelas células T citotóxicas (para
    eliminar células infectadas com vírus ou células neoplásicas).

Causas patológicas

  • morte celular produzida por vários estímulos nocivos. Se os
    mecanismos de reparo do DNA náo puderem lidar com a lesão (p. ex., pela
    radiação ou drogas citotóxicas), a célula ativa a via da apoptose, em
    vez de arriscar o desenvolvimento de mutações e translocações no DNA
    danificado, que poderiam resultar em transformação maligna.
  • muitos estímulos de lesão moderada (incluindo, calor e
    hipoxia) podem induzir a apoptose, mas doses maiores dos mesmos
    estímulos resultam em necrose.
  • morte celular em certas doenças viróticas (p.ex., hepatite).
  • morte celular nos tumores.
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Lesão celular

fev 1st, 2010

Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007 – Capítulo 1

A lesão de qualquer componente celular pode provocar doença, pois a células perdem a capacidade de se adaptar. Uma alteração inicial de lesão celular é uma lesão bioquímica, que se forma no local da agressão. Por exemplo, em um paciente com alcoolismo crônico; lesões bioquímicas das células do sistema imune podem aumentar a suscetibilidade do paciente a infecções, além disso, as células do pâncreas e fígado são afetadas de uma forma que impede sua reprodução, e não retornam ao funcionamento normal.

Causas de lesão celular

A lesão celular pode resultar de qualquer causa intrínseca ou extrínseca:

  • toxinas: substâncias originadas no corpo (fatores endógenos) ou fora dele (fatores exógenos); podem causar lesões tóxicas. As toxinas endógenas comuns incluem produtos de erros metabólicos geneticamente determinados, malformações grosseiras e reações de hipersensibilidade. As toxinas exógenas incluem álcool, chumbo, monóxido de carbono e drogas quel alteram a função celular. Exemplos dessas drogas são os agentes quimioterápicos, utilizados no tratamento do câncer, e imunossupressores, empregados para prevenção de rejeição de órgãos em indivíduos transplantados.
  • infecção: vírus, protozoários, fungos e bactérias podem induzir lesão ou morte celular. Esses organismos afetam a integridade da célula, habitualmente ao interferir na divisão celular, produzindo células mutantes não viáveis. Por exemplo, o vírus da imunodeficiência humana altera a célula quando é replicado no RNA celular.
  • lesão física: a ruptura das células ou das relações entre as organelas intracelulares causa lesão física. Os dois tipos principais de lesão são as térmicas e as mecânicas. Causas de lesão térmica incluem queimaduras, radioterapia para câncer, raios X e radiação ultravioleta. As causas de lesão mecânica incluem cirurgia, trauma por acidentes automotivos e ulcerações produzidas pelo frio.
  • lesão por deficiência: quando ocorre deficiência de água, oxigênio ou nutrientes ou se a temperatura constante e a eliminação adequada de produtos não forem mantidas, o metabolismo celular anormal não ocorre. A falta de apenas uma dessas necessidades básicas pode provocar ruptura celular ou morte. Causas de deficiência incluem hipóxia (oxigênio inadequado), isquemia (suprimento sanguíneo inadequado) e desnutrição.

A lesão celular irreversível ocorre quando a membrana celular ou as organelas não conseguem mais funcionar.

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Adaptação celular

fev 1st, 2010

Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007

Em geral, as células continuam a funcionar apesar das alterações de condições e dos agentes estressantes, mas o estresse grave ou prolongado, assim como as alterações, podem lesá-las ou, até mesmo, destruí-las. Quando sau integridade é ameaçada – por exemplo, por hipóxia, anóxia, lesão química, infecção ou temperatura extremas – as células reagem de uma dentre as duas maneiras a seguir:

  • utilizando suas reservas para continuar funcionando.
  • por alterações adaptativas ou disfunção celular.

Se houver reserva celular suficiente e o corpo não detectar anormalidades, a célula se adapta por atrofia, hipertrofia, hiperplasia, metaplasia ou displasia.

Se a reserva celular for insuficiente, a célula morre (necrose).

Atrofia

Atrofia é a redução do tamanho de uma célula ou órgão. Pode ocorrer quando células enfrentam desuso ou redução da carga de trabalho; fluxo sanguíneo insuficiente; desnutrição; ou diminuição do estímulo hormonal ou nervoso. Exemplos de atrofia incluem perda de massa muscular e tônus após repouso prolongado no leito.

Hipertrofia

Em contraste, a hipertrofia é o aumento do tamanho de uma célula ou órgão, causado pelo aumento da carga de trabalho. Há três tipos básicos de hipertrofia: fisiológica, compensatória e patológica.

  • hipertrofia fisiológica reflete um aumento da carga de trabalho, que não é causado por doenças – por exemplo, o aumento da massa muscular causado por trabalho físico intenso ou treinamento com pesos.
  • hipertrofia compensatória ocorre quando a célula aumenta de tamanho para ocupar o espaço de outras células não funcionantes. Por exemplo, um rim aumenta quando ou outro não está funcionando ou é removido, fenômeno conhecido como vicariância.
  • hipertrofia patológica é a resposta a uma doença. Um exemplo é o espessamento do músculo cardíaco, na medida em que este exerce a função de bombear contra uma resistência aumentada em um paciente com hipertensão arterial sistêmica.

Hiperplasia

A hiperplasia é o aumento do número de células, causado pelo acréscimo da carga de trabalho, pelo estímulo hormonal ou pela diminuição da densidade tecidual. Como a hipertrofia, a hiperplasia pode ser fisiológica, compensatória ou patológica.

  • a hiperplasia fisiológica é uma resposta adaptativa a alterações normais. Por exemplo, em mulheres, é o aumento mensal de células uterinas, que ocorre em resposta à estimulação estrogênica do endométrio, após a ovulação.
  • a hiperplasia compensatória ocorre em alguns órgãos para repor o tecido que foi removido ou destruído. Por exemplo, as células hepáticas regeneram, quando parte do fígado é removida.
  • a hiperplasia patológica é a resposta ao estímulo hormonal excessivo ou à produção anormal de fatores hormonais de crescimento. Exemplos incluem hiperplasia endometrial, na qual a secreção excessiva de estrógeno provoca sangramento menstrual intenso e, possivelmente, alterações de malignidade; e acromegalia, na qual a produção excessiva de hormônio de crescimento induz aumento dos ossos.

Metaplasia

Metaplasia é a substituição de um tipo de célula por outro (um que possa enfrentar melhor a alteração ou o agente estressante). Uma casua comum de metaplasia é a irritação ou lesão, ambas constantes, que inicia uma resposta inflamatória. O novo tipo celular pode enfrentar melhor o estresse da inflamação crônica. A metaplasia pode ser fisiológica ou patológica.

  • metaplasia fisiológica é uma resposta normal à alteração de condições, e é, em geral transitória. Por exemplo, na resposta corporal normal à inflamação, os monócitos migram para os tecidos inflamados e se transformam em macrófagos.
  • metaplasia patológica é a resposta a uma toxina extrínseca ou agente estressante; habitualmente, é irreversível. Por exemplo, após anos de exposição à fumaça de cigarro, células epiteliais escamosas estratificadas substituem as células epiteliais colunares ciliadas dos brônquios. Apesar das novas células tolerarem melhor a fumaça; elas não secretam muco e não apresentam cílios para proteger as vias respiratórias. Se a exposição à fumaça de cigarro persistir, as células escamosas tornam-se cancerosas.

Displasia

Na displasia, a diferenciação anormal das células em divisão resulta em células de tamanho, forma e aspecto anormais. Apesar das alterações displásicas não serem cancerosas; podem preceder alterações cancerosas. Exemplos comuns incluem displasia de células epiteliais do colo do útero ou trato respiratório.

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Fisiologia Celular

fev 1st, 2010
Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007.

Fisiologia Celular

A célula é o menor componente vivo de um organismo. Organismos podem
ser formados por uma única célula, como as bactérias, ou por bilhões,
como os seres humanos. Em grandes organismos, células altamente
especializadas, que realizam funções idênticas, são organizadas em tecidos (como os
tecidos epitelial, conjuntivo, nervoso e muscular), que, por sua vez,
formam órgãos
(como a pele, esqueleto, cérebro e coração), os quais são integrados em
sistemas
(como o SNC, sistema cardiovascular e sistema musculoesquelético).

Componentes celulares

Como os organismos, as células são organizações complexas de
componentes especializados, cada qual com sua própria função. Os
maiores componentes de uma célula normal são citoplasma, núcleo e membrana celular.

Citoplasma

O citoplasma gelatinoso consiste primariamente de citosol, um líquido
viscoso e semitransparente, que é 70 a 90% água e 10 a 30% várias
proteínas, sais e açúcares. No citosol, estão em suspensão várias
estruturas pequenas denominadas organelas.
As organelas são as máquinas metabólicas das células. Cada uma realiza
uma função para manter a vida celular. Estas incluem:

  • mitocôndrias
    - produz a maior
    parte do trifosfato de adenosina (ATP). O ATP contém ligações químicas
    de fosfato de alta energia, que fornecem combustível para várias
    atividades celulares. São os locais de respiração celular, isto é, a
    utilização metabólica de oxigênio para produzir energia, dióxido de
    carbono e água.
  • ribossomos – são os locais de síntese protéica.
  • retículo endoplasmático – o rugoso é recoberto por
    ribossomos, e o liso contém enzimas que sintetizam lipídeos.
  • aparelho de Golgi – sintetiza moléculas de carboidratos,
    que se combinam com proteínas produzidas no retículo endoplasmático
    rugoso e com lipídeos, gerados no retículo endoplasmático liso, a fim
    de formar produtos como lipoproteínas, glicoproteínas e enzimas.
  • lisossomos – são locais no citoplasma que digerem (quebram)
    na célula nutrientes e material estranho ou danificado.
  • peroxissomos – contêm oxidases, que são enzimas que
    reduzem, quimicamente, o oxigênio a peróxido de hidrogênio, e peróxido
    de hidrogênio à água.
  • citoesqueleto – formam uma rede de estruturas protéicas,
    que mantêm a forma celular.
  • centrossomos -  contêm centríolos, que são
    pequenos cilindros adjacentes ao núcleo, que participam da divisão
    celular.
  • microfilamentos e microtúbulos – possibilitam o
    movimento das vesículas intracelulares (permitindo que os axônios
    transportem neurotransmissores) e a formação do fuso mitótico, que é a
    estrutura para divisão celular.

Núcleo

O controle central da célula é o núcleo, que exerce papel no
crescimento celular, no metabolismo e na reprodução. Dentro do núcleo,
um ou mais nucléolos sintetizam ácido ribonucléico (RNA) que controla a
síntese protéica. O núcleo também armazena ácido desoxirribonucléico
(DNA), a estrutura de dupla hélice que transporta o material genético e
é responsável pela reprodução e divisão celular.

Membrana celular

A membrana celular semipermeável forma os limites externos da célula,
separando-a de outras células e do ambiente externo. Essa membrana é
composta por uma dupla camada de fosfolípides, com moléculas de
proteínas mergulhadas neles. Essas moléculas atuam como receptoras,
canais de íons ou transportadoras de substâncias específicas.

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Funções celulares

fev 1st, 2010
Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007.

Funções celulares

As funções básicas da células são: movimento, condução, absorção,
secreção, excreção, respiração e reprodução. O corpo humano possui
algumas células que realizam funções especializadas (por exemplo, as
células musculares são responsáveis pelo movimento). Reprodução e
respiração ocorrem em todas as células.

  1. Movimento – algumas células, como as musculares, trabalham
    em conjunto para produzir movimento de uma parte específica do corpo,
    de um conteúdo interno de um órgão ou do organismo inteiro. As células
    musculares ligadas aos ossos movimentam as extremidades. Quando
    essas células, que envolvem órgãos ocos ou cavidades, contraem, elas
    produzem movimentação do conteúdo, como no movimento peristáltico
    dos intestinos ou na ejeção de sangue do coração.
  2. Condução – é a transmissão de estímulos – como impulsos nervosos,
    calor ou ondas sonoras de uma parte do corpo para outra.
  3. Absorção – ocorre na medida em que a substância se move pela membrana
    celular. Por exemplo, alimentos são quebrados, no trato digestivo, em aminoácidos,
    ácidos graxos e glicose. Então, células especializadas no intestino absorvem os
    nutrientes e os transportam para os vasos sanguíneos que os levam para
    outras células do corpo. Essas células-alvo, por sua vez, absorvem as
    substâncias, utilizando-as como fonte de energia ou como blocos para
    construção, assim como reparo estrutural e funcional dos componentes
    celulares.
  4. Secreção – algumas células, como as glândulas liberam substâncias que
    são utilizadas em outras partes do corpo. As células beta das ilhotas de
    Langerhans do pâncreas, por exemplo, secretam insulina, que é o transportado
    pelo sangue para as células alvo, nas quais a insulina favorece o transporte de glicose
    através das membranas celulares.
  5. Excreção – células excretam os restos dos processos metabólicos normais. Esses
    restos possuem dióxido de carbono, certos ácidos e moléculas contendo nitrogênio.
  6. Respiração – a respiração celular ocorre nas mitocôndrias, em que é produzido ATP.
    A célula absorve oxigênio; depois, utiliza oxigênio e libera dióxido de carbono
    durante o metabolismo celular. A energia armazenada sob a forma de ATP
    é utilizada para outras reações que necessitam de energia.
  7. Reprodução – para o crescimento de tecidos e do corpo, é necessário que células novas
    substituam as antigas. A maioria das células se divide e se reproduz
    por meio da mitose, mas algumas, como as células nervosas e musculares,
    tipicamente perdem a capacidade de se reproduzir após o nascimento.

Tipos celulares

fev 1st, 2010

Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007

Cada um dos quatro tipos de tecido (epitelial, conjuntivo, nervoso e muscular) consiste em vários tipos de células especializadas, que realizam funções específicas.

Células epiteliais

As células epiteliais revestem a maior parte das superfícies corporais interna e externa, como a pele da epiderme, os órgãos internos, os vasos sanguíneos, as cavidades corporais, as glândulas e os órgãos sensoriais. As funções das células epiteliais incluem suporte, proteção, absorção, excreção e secreção.

Células do tecido conjuntivo

As células do tecido conjuntivo são encontradas na pele; ossos e articulações; paredes arteriais; nervos; gordura corporal; e fáscia ao redor dos órgãos. Os tipos de células do tecido conjuntivo incluem fibroblastos (que formam colágeno, elastina e fibras reticulares), células adiposas (adipócitos), mastócitos (que liberam histamina e outras substâncias durante a inflamação) e células ósseas. As principais funções do tecido conjuntivo são proteção, metabolismo, suporte, manutenção de temperatura e elasticidade.

Células nervosas

Dois tipos de células – neurônios e células da glia – formam o sistema nervoso. Os neurônios apresentam corpo celular, dendritos e axônios. Os dendritos carregam os impulsos nervosos para o corpo celular a partir dos axônios de outros neurônios. Os axônios levam os estímulos nervosos a partir do corpo celular, para outros neurônios ou órgãos. A bainha de mielina ao redo do axônio facilita a condução rápida de impulsos, ao conservá-los no interior da célula nervosa. Os neurônios realizam as seguintes funções:

  • geração de impulsos elétricos.
  • condução de impulsos elétricos.
  • influência de outros neurônios, células musculares e células das glândulas, ao transmitir esses impulsos.

Células da glia suportam, nutrem e protegem os neurônios. Existem quatro tipos:

  • Oligodendrócitos produz mielina no SNC.
  • Astrócitos fornecem nutrientes essenciais para os neurônios, ajudando estes a manter os potenciais bioelétricos adequados para condução do impulso e transmissão sináptica.
  • Células ependimais auxiliam a produção do líquido cerebrospinal.
  • Microglia ingere e digere debris teciduais quando o tecido nervoso é lesado.

Células musculares

As células musculares se contraem para produzir movimento ou tensão. As proteínas intracelulares actina e miosina interagem formando pontes cruzadas, que resultam em contração muscular. O aumento de cálcio intracelular é necessário para o músculo se contrair. O aumento ocorre quando a célula muscular é estimulada. Isto causa a despolarização dessa célula e cria um potencial de ação, que leva à liberação do cálcio intracelular de seus locais de depósito no retículo sarcoplasmáico.

Há três tipos básicos de células musculares:

  • Células musculares esqueléticas (estriadas) são longas, cilíndricas e se estendem ao longo dos músculos esqueléticos todos. Esses músculos, que se ligam diretamente ao osso ou se conectam a este por meio de tendões, são responsáveis pelos movimentos voluntários. Pela contração e relaxamento, as células musculares estriadas alteram o comprimento do músculo. A contração encurta o músculo; o relaxamento permite que este volte ao seu comprimento de repouso.
  • Células musculares lisas (não estriadas) são em forma de fuso e encontradas nas paredes dos órgãos ocos internos – como trato gastrointestinal e urinário, vasos sanguíneos e bronquíolos. Ao contrário das células musculares estriadas, as lisas contraem-se de forma involuntária. Por meio da contração e relaxamento, elas modificam o diâmetro do lúmen da estrutura oca e, dessa maneira, movimentam substâncias pelos órgãos.
  • Células musculares cardíacas se ramificam pela musculatura lisa das câmaras cardíacas. Apesar de serem estriadas, contraem-se involuntariamente. Elas produzem e transmitem potenciais de ação cardíacos, o que causa a sua contração. Os impulsos direcionam-se de célula a célula, como se não existisse membrana celular.
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Divisão celular

fev 1st, 2010
Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007.
 

Divisão celular

 

Cada célula precisa se auto-replicar para que a vida continue. As
células se replicam por divisão, em duas maneiras: mitose (divisão que
resulta em duas células-filhas, com o mesmo DNA e conteúdo cromossômico
da célula original) ou meiose (divisão que dá origem a quatro
gametócitos, cada um contendo metade do número de cromossomos da célula
original). A maioria das células sofre mitose; a meiose ocorre apenas
nas células reprodutivas.

Mitose

É o tipo de divisão celular que leva ao crescimento dos tecidos, cria
uma divisão igual do material nuclear (cariocinese), seguida da divisão
do corpo celular (citocinese). Esse processo dá origem a duas
duplicatas da célula original.

Material adicional

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitose

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Úlceras pépticas

nov 26th, 2009

Introdução

  • A úlcera péptica é uma lesão aberta da mucosa gástrica ou duodenal que ocorre quando os mecanismos normais de defesa da mucosa estão prejudicados ou são sobrepujados por elementos agressivos existentes no lúmen, como ácidos e pepsina. As úlceras ocorrem com frequência cinco vezes no duodeno. São mais frequentes em fumantes e nos indivíduos que fazem uso de antiinflamatórios de forma crônica.
  • Classicamente, a úlcera duodenal manifesta-se na forma de dor epigástrica lancinante ou em queimação, que surge dentro de 1 a 3 horas após as refeições, que acorda frequentemente o paciente à noite, sendo aliviada por antiácidos ou ingestão de alimento.

Fisiopatologia

  • Os agentes corrosivos (ácido e pepsina) secretados pelo estômago desempenham um papel essencial na úlcera gástrica, na úlcera duodenal e na gastrite erosiva aguda. Cada uma dessas doenças apresenta uma patogenia distinta, porém superposta, compartilhando uma secreção excessiva de ácido ou uma redução da defesa da mucosa.
  • A infecção crônica por H. pylori é um co-fator necessário na maioria das úlceras duodenais e gástricas. Na maioria dos pacientes com úlcera duodenal infectados a infecção está localizada no antro gástrico, fato que se associa ao aumento da secreção gástrica de ácidos e à diminuição da secreção de bicarbonato pela mucosa duodenal.
  • A úlcera gástrica distingue-se da gastrite pela profundidade da lesão, visto que úlceras gástricas penetram através da mucosa. A cratera da úlcera é frequentemente circundada por uma área de mucosa intacta, porém inflamada, sugerindo que a gastrite é uma lesão que predispõe ao desenvolvimento de úlcera gástrica.
  • A úlcera duodenal a exemplo da úlcera gástrica, acredita-se que seja uma consequência da infecção por H. pylori, resultando em inflamação da mucosa e alteração das defesas. A secreção excessiva de ácido tem um papel secundário. Vários outros fatores de risco, incluindo dieta, tabagismo e consumo excessivo de álcool, podem influenciar o desenvolvimento de úlceras duodenais, embora não se tenha demonstrado a existência de associações específicas (p. ex. entre café e alimentos condimentados e o desenvolvimento de úlceras). De forma semelhante, o estresse psicológico tem sido implicado na doença ulcerosa duodenal, talvez através d uma influência mediada de modo autônomo sobre a secreção de ácido.
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Sistema Digestório

nov 26th, 2009

Introdução

  • O canal alimentar é um tubo que se inicia na boca, termina no ânus e inclui faringe, esôfago e estômago, assim como intestino delgado e grosso. O peristaltismo movimenta alimentos e líquidos ao longo do trato; esfíncteres impedem o refluxo. Os órgãos acessórios e glândulas salivares, fígado, sistema de ductos biliares (vesícula e ductos biliares).
  • Juntos, o trato gastrointestinal e os órgãos acessórios exercem duas funções principais: digestão (quebra de alimentos e líquidos em produtos químicos simples, que podem ser absorvidos na corrente sanguínea e transportados pelo corpo) e eliminação, e posterior defecação.
  • As doenças do sistema digestório tipicamente aparecem como queixas vagas e inespecíficas ou problemas que refletem a interrupção em uma ou mais funções do sistema. Por exemplo, o movimento pelo trato gastrointestinal pode ser lento, acelerado ou bloqueado; a secreção, absorção ou motilidade pode ser alterada. Como resultado, um paciente pode apresentar vários problemas simultâneos, mais comumente anorexia, constipação, diarréia, disfagia (dificuldade para deglutir), icterícia, náusea e vômitos.

Constipação

  • A constipação é a condição em que os movimentos intestinais são incompletos ou pouco frequentes, como definido pela redução no número de evacuações por semana. É definida individualmente, pois hábitos intestinais normais variam de duas a três evacuações por dia até uma evacuação por semana. As causas de constipação incluem desidratação, dieta pobre em fibras, vida sedentária, falta de exercícios regulares e repressão frequente da necessidade de defecar.
  • Quando o indivíduo está desidratado ou retarda a defecação, mais líquido é absorvido do intestino; as fezes tornam-se mais endurecidas e ocorre a constipação. Dieta rica em fibras promove a entrada de água nas fezes por osmose, conservando as fezes amolecidas e estimulando sua movimentação pelo intestino. As dietas ricas em fibras também causam dilatação intestinal, que estimula o peristaltismo.

Diarréia

  • Diarréia é o aumento de fluidez ou volume das fezes e da frequência de evacuações. Fatores que afetam o volume e a consistência fecais incluem o conteúdo de água do cólon e a presença de alimentos não absorvidos, e secreções intestinais. Diarréia com grandes volumes resulta, geralmente, de quantidade excessiva de água, secreções, ou ambas, nos intestinos. Diarréias com volumes pequenos são, habitualmente, causadas pela motilidade intestinal excessiva. Os três principais mecanismos de diarréia incluem:
    • Diarréia osmótica: presença de substância não absorvível, como um açúcar sintético ou aumento de partículas osmóticas no intestino, eleva a pressão osmótica e atrai o excesso de água para o intestino, aumentando dessa forma o volume das fezes.
    • Diarréia secretória:um agente patogênico ou tumor irrita as camadas mucosa ou musculares do intestino. O resultado é aumento da motilidade e secreções (água, eletrólitos e muco), causando diarréia.
    • Diarréia por aumento de motilidade:inflamação, neuropatia ou obstrução causam aumento no reflexo da motilidade intestinal, a fim de expelir o irritante ou limpar a obstrução.
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