Manual de Fisiopatologia – 2a edição – editora ROCA, 2007
Em geral, as células continuam a funcionar apesar das alterações de condições e dos agentes estressantes, mas o estresse grave ou prolongado, assim como as alterações, podem lesá-las ou, até mesmo, destruí-las. Quando sau integridade é ameaçada – por exemplo, por hipóxia, anóxia, lesão química, infecção ou temperatura extremas – as células reagem de uma dentre as duas maneiras a seguir:
- utilizando suas reservas para continuar funcionando.
- por alterações adaptativas ou disfunção celular.
Se houver reserva celular suficiente e o corpo não detectar anormalidades, a célula se adapta por atrofia, hipertrofia, hiperplasia, metaplasia ou displasia.
Se a reserva celular for insuficiente, a célula morre (necrose).
Atrofia
Atrofia é a redução do tamanho de uma célula ou órgão. Pode ocorrer quando células enfrentam desuso ou redução da carga de trabalho; fluxo sanguíneo insuficiente; desnutrição; ou diminuição do estímulo hormonal ou nervoso. Exemplos de atrofia incluem perda de massa muscular e tônus após repouso prolongado no leito.
Hipertrofia
Em contraste, a hipertrofia é o aumento do tamanho de uma célula ou órgão, causado pelo aumento da carga de trabalho. Há três tipos básicos de hipertrofia: fisiológica, compensatória e patológica.
- hipertrofia fisiológica reflete um aumento da carga de trabalho, que não é causado por doenças – por exemplo, o aumento da massa muscular causado por trabalho físico intenso ou treinamento com pesos.
- hipertrofia compensatória ocorre quando a célula aumenta de tamanho para ocupar o espaço de outras células não funcionantes. Por exemplo, um rim aumenta quando ou outro não está funcionando ou é removido, fenômeno conhecido como vicariância.
- hipertrofia patológica é a resposta a uma doença. Um exemplo é o espessamento do músculo cardíaco, na medida em que este exerce a função de bombear contra uma resistência aumentada em um paciente com hipertensão arterial sistêmica.
Hiperplasia
A hiperplasia é o aumento do número de células, causado pelo acréscimo da carga de trabalho, pelo estímulo hormonal ou pela diminuição da densidade tecidual. Como a hipertrofia, a hiperplasia pode ser fisiológica, compensatória ou patológica.
- a hiperplasia fisiológica é uma resposta adaptativa a alterações normais. Por exemplo, em mulheres, é o aumento mensal de células uterinas, que ocorre em resposta à estimulação estrogênica do endométrio, após a ovulação.
- a hiperplasia compensatória ocorre em alguns órgãos para repor o tecido que foi removido ou destruído. Por exemplo, as células hepáticas regeneram, quando parte do fígado é removida.
- a hiperplasia patológica é a resposta ao estímulo hormonal excessivo ou à produção anormal de fatores hormonais de crescimento. Exemplos incluem hiperplasia endometrial, na qual a secreção excessiva de estrógeno provoca sangramento menstrual intenso e, possivelmente, alterações de malignidade; e acromegalia, na qual a produção excessiva de hormônio de crescimento induz aumento dos ossos.
Metaplasia
Metaplasia é a substituição de um tipo de célula por outro (um que possa enfrentar melhor a alteração ou o agente estressante). Uma casua comum de metaplasia é a irritação ou lesão, ambas constantes, que inicia uma resposta inflamatória. O novo tipo celular pode enfrentar melhor o estresse da inflamação crônica. A metaplasia pode ser fisiológica ou patológica.
- metaplasia fisiológica é uma resposta normal à alteração de condições, e é, em geral transitória. Por exemplo, na resposta corporal normal à inflamação, os monócitos migram para os tecidos inflamados e se transformam em macrófagos.
- metaplasia patológica é a resposta a uma toxina extrínseca ou agente estressante; habitualmente, é irreversível. Por exemplo, após anos de exposição à fumaça de cigarro, células epiteliais escamosas estratificadas substituem as células epiteliais colunares ciliadas dos brônquios. Apesar das novas células tolerarem melhor a fumaça; elas não secretam muco e não apresentam cílios para proteger as vias respiratórias. Se a exposição à fumaça de cigarro persistir, as células escamosas tornam-se cancerosas.
Displasia
Na displasia, a diferenciação anormal das células em divisão resulta em células de tamanho, forma e aspecto anormais. Apesar das alterações displásicas não serem cancerosas; podem preceder alterações cancerosas. Exemplos comuns incluem displasia de células epiteliais do colo do útero ou trato respiratório.
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