SPECT e Demência
Qual o papel da medicina nuclear na avaliação de um paciente com demência?
- A cintilografia tomográfica da perfusão cerebral (SPECT) é útil na avaliação das demências, pois detecta alterações da perfusão sangüínea cerebral inclusive na ausência de modificações anatômicas na ressonância magnética nuclear (RM) ou na tomografia computadorizada (TC).
- Apesar dos achados do SPECT não serem específicos, a localização das alterações perfusionais detectadas pelo método freqüentemente permite caracterizar o tipo de demência. Hipoperfusão nas regiões têmporo-parietais pode ser indicativo de doença de Alzheimer enquanto diminuição da perfusão na região frontal bilateral pode corresponder à demência frontal. Estudos seriados são úteis no acompanhamento evolutivo e avaliação da resposta terapêutica.
Achados cintilográficos do SPECT da perfusão cerebral
- Demência de Alzheimer: Hipoperfusão têmporo-parietal posterior bilateral e simétrico (padrão característico). Diminuição da perfusão nos lobos frontais e porções anteriores dos lobos temporais também são freqüentes porém menos específicos.
- Doença de Pick:Hipoperfusão frontal bilateral
- Demência frontal:Hipoperfusão frontal ou frontotemporal bilateral
- Doença de Creutzfeldt:Hipoperfusão têmporo-parietal posterior bilateral, hipoperfusão cortical difusa
- Doença de Parkinson:Sem padrão específico no SPECT, variando desde o padrão normal, alterações frontal bilateral com ou sem alteração dos gânglios da base, alteração global leve. Em casos de doença de Parkinson com demência o padrão ao SPECT é indistinguível do observado na doença de Alzheimer
- Doença de Huntington:Hipoperfusão dos gânglios da base
- Demência associada ao vírus HIV:Padrão heterogêneo freqüentemente com múltiplos defeitos
- Demência vascular:Defeitos corticais da perfusão, múltiplos, com distribuição aleatória.
Dra. Lilian Yuri Itaya Yamaga, médica nuclear Hospital Israelita Albert Einstein – São Paulo-SP
